A enquete foi feita por uma consultoria em recursos humanos em 32 países. Só 15% dos entrevistados consideram os chefes brilhantes e 33% dizem que eles são totalmente incompetentes.
A causa de ser tão popular falar mal do chefe foi pesquisada: dois entre cada três funcionários acham que são melhores do que o chefe.
O assunto em uma empresa de São Paulo é o chefe. “Às vezes ele insiste numa coisa que eu acho que não tem que ser e aí a gente acaba discutindo um pouco por causa disso”, fala a gerente financeira Elisandra Pecioli.
“Muitas vezes ele acha que pode pitacar nas coisas que eu sou melhor do que ele e aí eu fico muito bravo”, conta o gerente de projetos, Breno Soutto.
Uma enquete feita por uma consultoria em recursos humanos, em 32 países, apontou que dois em cada três funcionários acreditam que fariam as tarefas do chefe melhor do que ele.
Segundo o estudo, 18% consideram o chefe melhor que os funcionários e 15% dos entrevistados acham os chefes brilhantes, 33% dizem que eles são totalmente incompetentes e a maioria, 34% diz que os chefes são ok, mas que eles, os funcionários, poderiam fazer um trabalho melhor.
Mas uma coisa é falar mal do chefe quando ele não está e outra bem diferente é dizer o que pensa na cara dele. Em uma empresa de mídia digital, o gerente de projetos Breno Soutto e a gerente financeira Elisandra Pecioli toparam o desafio.
A coragem de Breno quase desaparece. O tom muda, mas, Breno arrisca:
“Ele encana com algumas coisas de vez em quando que são alienígenas! Não é umas coisas com as quais eu não concordo, é que elas não existem de fato”, fala.
Elisandra desabafa. “Acho que o Alessandro tem que aprender a falar um pouco mais de "não" para as pessoas porque ele fala muito sim e sobra pra mim ser a chata da história”.
“Isso é verdade, mas eu acho que o financeiro tem que ser o chato da empresa então é um pouco uma estratégia, Elisandra”, argumenta o dono da empresa, Alessandro Barbosa Lima.
Pode parecer muito fácil ser chefe até ter de fazer o trabalho dele, defende o especialista em relações do trabalho, Joel Dutra.
“O subordinado não consegue enxergar toda a realidade vivida pelo chefe. Então há uma tendência de ele minimizar o conjunto de pressões que o chefe está recebendo. Então ele sempre acha que o chefe não faz nada, ele que faz tudo, até claro o dia que ele vira chefe e consegue perceber tudo isso e quando chega lá leva um susto porque o que caracteriza a atividade gerencial é a arena política da organização”.
Breno e Elisandra experimentaram ficar no lugar do chefe. “Eu acho que às vezes eu seria mais prudente em compromissos que assumo com outras pessoas e talvez com alguns clientes”, diz Breno.
“Acho que seria um pouco mais organizada”, avisa Elisandra.
Uma ousadia admitida só por um chefe aberto ao diálogo. “Acho que o chefe na verdade deve procurar se tornar dispensável. A medida que o chefe consegue se tornar dispensável, significa que ele tem uma equipe afinada, que sabe os objetivos da empresa e consegue fazer o trabalho sem ter alguém no pé o tempo inteiro, entendeu?”, admite Alessandro.
Fonte: Jornal da Globo
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